A Operação Engodo Digital, deflagrada hoje pela Delegacia de Repressão ao Crime Organizado (Draco) de Sinop, teve como principal foco o patrimônio obtido pelo grupo investigado por exploração de jogos de azar, captação ilegal de apostas, lavagem de dinheiro, sonegação fiscal e organização criminosa. O alvo principal foi uma influenciadora de Sorriso, conhecida nas redes sociais, com grande número de seguidores e que já foi capa da Revista Sexy.
O delegado explicou que o grupo utilizava as redes sociais para divulgar os jogos e atrair apostadores. Conforme a investigação, dados do Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf) e da Receita Federal apontaram movimentações de aproximadamente R$ 28 milhões entre créditos e débitos relacionados aos investigados. Após a movimentação dos valores, os investigados criavam empresas com o objetivo de dar aparência lícita ao dinheiro obtido por meio das apostas. Algumas empresas, segundo ele, efetivamente existiam e prestavam serviços, mas os recursos utilizados para sua criação teriam origem ilícita.
O delegado destacou que o impacto do esquema ultrapassava os valores movimentados pelo grupo, principalmente pelos prejuízos causados aos apostadores. Segundo ele, muitas pessoas eram convencidas a participar dos jogos por acreditarem na credibilidade das figuras públicas que faziam a divulgação. “É um fato gravoso para a sociedade, porque muitas pessoas, muitas das quais são pessoas carentes, pegam o seu dinheiro, aplicam no jogo que não vai ter retorno para ela”, afirmou.
Eugênio explicou que a atuação policial foi principalmente voltada para o patrimônio dos investigados. Foram cumpridos 14 mandados de busca e apreensão, além de medidas de sequestro de bens, bloqueio de mais de R$ 21,4 milhões em contas bancárias e outras medidas determinadas pela Justiça.
Também foram impostas cautelares diversas da prisão, entre elas a proibição de contato entre os investigados, apresentação mensal ao fórum e restrição de utilização das redes sociais para divulgação de jogos de azar. Três investigados tiveram os passaportes recolhidos, como forma de impedir uma eventual saída do país durante o andamento da investigação. O delegado ressaltou que o descumprimento de qualquer uma das medidas cautelares poderá resultar na decretação de prisão preventiva.
Segundo o delegado, as diligências realizadas pela Draco também identificaram uma conexão com a Operação Narco Fluxo, deflagrada pela Polícia Federal em São Paulo. Uma empresa e seu proprietário, que teriam realizado repasses de valores para uma das investigadas, também foram alvos da Operação Engodo Digital.
A partir da análise dos celulares apreendidos, documentos e demais materiais recolhidos hoje, a Polícia Civil pretende aprofundar a identificação de outros envolvidos. “A gente está há seis meses trabalhando nela, e agora a gente vai dar o pontapé final para a gente chegar à conclusão e identificar as pessoas que estão envolvidas”, explicou Rudy.
Plataforma Zan norte