Executivos da AEGEA/Águas de Sinop acusam em delação R$ 30 milhões de propina para ex-prefeito, revela portal

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Cinco executivos da Aegea, controladora da concessionária Águas de Sinop, firmaram acordos de colaboração premiada com o Ministério Público, entre 2020 e 2021, e afirmaram que a empresa pagou R$ 30 milhões de propina para o ex-prefeito de Sinop e deputado federal Juarez Costa. Os termos foram homologados em 2025 pelo ministro Raul Araújo, do Superior Tribunal de Justiça. A informação foi revelada, hoje, pelo portal Metrópoles.

O ex-presidente da Aegea Hamilton Amadeo relatou aos procuradores que autorizou pagamentos que seriam destinados ao pagamento de dívidas de campanha de Juarez e afirmou que ele pediu um veículo BMW, em 2014, como parte do pagamento de propina. Conforme o depoimento, Amadeo autorizou subordinados a providenciar a compra e, em troca, o “então prefeito mudou regras e criou leis que beneficiaram” a Águas de Sinop que assumiu o controle do abastecimento de água e esgoto em Sinop.

A reportagem dos jornalistas Eduardo Militão na coluna de Andreza Matais informa que o ex-diretor financeiro da Aegea Flávio Crivellari detalhou a aquisição e disse que o carro custou R$ 330 mil à época — o equivalente a cerca de R$ 625 mil em valores corrigidos pela inflação e acusa Juarez de ter solicitado diretamente ao presidente a compra do automóvel, adquirido e transferido por intermédio de um operador que era consultor terceirizado da concessionária de água e esgoto.

Outros executivos também citaram o ex-prefeito como destinatário de propina: o ex-diretor administrativo Felipe Bueno Marcondes Ferraz, o ex-responsável comercial Mário Roberto Amorim Baltar e a ex-gerente técnica Fernanda Bassanesi. O portal também noticia que Ferraz disse que operou o “caixa 2” de Juarez Costa a partir de 2015. Segundo ele, o então prefeito utilizava três emissários para retirar dinheiro em espécie na sede da Aegea, em São Paulo, haveria entregas em Cuiabá e Santa Catarina. Em 2015 e no primeiro trimestre de 2016, foram entregues maços de dinheiro a intermediários em Balneário Camboriú (SC). De acordo com o ex-executivo, nesse local foram entregues R$ 1,2 milhão destinados ao deputado.

Em setembro de 2016, período próximo aos fatos narrados na delação, Juarez foi alvo de mandado de busca na Operação Sorrelfa, conduzida pelo Ministério Público de Mato Grosso para investigar um suposto esquema de corrupção e lavagem de dinheiro.

Ainda na delação, consta que foram pagas despesas de campanha em postos de combustíveis em Sinop e que parte da compra seria fictícia.

Outro lado
A Aegea não se manifestou sobre a suposta entrega do carro. Segundo o Metrópoles, em fevereiro deste ano, a concessionária de saneamento divulgou comunicado ao mercado financeiro no qual afirma que as práticas criminosas ficaram no passado após a assinatura dos acordos de colaboração premiada com o Ministério Público Federal. “A adesão da companhia ao Termo de Acordo como garantidora, concluindo definitivamente os eventos, objetivou fortalecer seu compromisso com a ética, assegurando assim sua cultura de integridade corporativa”, afirmou o diretor financeiro André Pires Dias no documento.

A assessoria de Juarez Costa ainda não se manifestou.

Plataforma Zan norte.

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